• Nayara Lima

Regular fome e saciedade


Comer é uma das funções mais importantes para garantir a nossa sobrevivência. Mais do que isto, consumir a quantidade certa de energia é essencial para o bom funcionamento dos seres humanos.



É indispensável uma forma rápida de ajustar a nossa capacidade de ingerir alimentos de acordo com a demanda. Se há maior gasto de energia, deve haver mais fome, e por consequência, ingestão da quantidade adequada de energia. Por esta razão, o processo de sentir fome e saciedade é tão complexo e envolve tantos estímulos e diferentes partes do cérebro. O corpo humano, tão inteligente que é, divide esta função em vários mecanismos que garantam a ingestão de energia suficiente.

Antigamente apenas se sabia que o hipotálamo era o centro da fome e saciedade. Mais especificamente, o hipotálamo lateral, o centro da fome e o núcleo ventro medial hipotalâmico, o da saciedade. Hoje compreende-se mais a fundo este processo. Estes dois centros são os principais. Mas outras regiões do cérebro exercem estas funções.

Para que este processo complexo aconteça, o cérebro deve “conversar” com o restante do corpo, com os órgãos e células através de mensageiros. A grelina, por exemplo, é um hormônio produzido principalmente pelo estômago que leva a informação ao hipocampo que o estômago está vazio, gerando o interesse e a busca pelo alimento. Outro exemplo de mensageiro é a bombesina, liberada quando, ao chegar um alimento no estômago, há distensão gástrica, informando ao cérebro que este indivíduo já deve ficar saciado. Muito conhecida também é a leptina, produzida pelas células de gordura, os adipócitos, que avisa ao cérebro que já podemos parar de comer pois os estoques de energias já foram recolocados.

Outras mensageiros que estimulam o apetite são neuropeptídeo Y, galalina, peptídeos opióides endógenos, glutamato e GABA, hipocretinas e orexinas. Com o papel de inibir o apetite, temos a família dos peptídeos de hormônios liberadores de corticotrofina, neurotensina, GLP1, entre outros.

Como vimos, o cérebro tem a capacidade de orquestrar estes mecanismos com maestria. É justamente por esta capacidade que a Alimentação Intuitiva e o Comer com Atenção Plena (Mindful Eating) tem como um dos seus objetivos o resgate da nossa conexão com os sinais de fome e saciedade produzidos pelo nosso corpo e a construção de uma forma de comer mais pautada pelos estímulos internos do que pelos externos.

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